Muriaeenses apresentam sugestões para desenvolvimento da cidade


As atividades de atualização do Plano Diretor Participativo (PDP) continuam em andamento em Muriaé. O documento, que consiste no conjunto de diretrizes que vão orientar o crescimento organizado do município nos próximos 10 anos, foi o tema de oito oficinas regionais realizadas na cidade e nos distritos ao longo da última semana. De segunda (18) a sexta-feira (22), os muriaeenses puderam debater as principais necessidades para cada comunidade e apresentando suas sugestões de melhorias. As reuniões foram organizadas pela Prefeitura e coordenadas pela Geo Brasilis, empresa especializada em planejamento urbano e que ficará responsável pela elaboração das propostas finais.

A metodologia utilizada foi padrão para todos os encontros. Após as apresentações iniciais, os participantes foram divididos em grupos de discussão e escreveram em tiras de papel como gostariam de ver a cidade daqui a uma década. As anotações foram então repassadas aos porta-vozes de cada equipe, que ficaram responsáveis pela compilação das ideias para anotação em cartazes visíveis por todos os presentes, além de apresentação oral dos tópicos gerais.

Em seguida, cada participante recebeu seis adesivos para colar em painéis contendo os mesmos temas, porém com enfoques diferentes. “Pedimos a todos que colassem três etiquetas nos pontos que considerassem positivos e outras três naqueles que vissem como aspectos negativos da cidade. O critério de escolha foi livre, de acordo com a opinião de cada um”, explica a arquiteta urbanista da Geo Brasilis, Lauanna Campagnoli.

Distritos apresentam demandas específicas
Cada reunião teve suas características próprias. Em Pirapanema, por exemplo, o tema da mineração foi um dos mais discutidos. O mesmo ocorreu em Belisário, cujos moradores também abordaram a questão da dificuldade de acesso nas épocas de chuva, já que todas as estradas que chegam ao distrito são de terra. Já no Vermelho, os moradores pediram melhorias na rodovia BR-356, no trecho de 5km entre Muriaé e a comunidade. A principal demanda do local é a criação de ciclovia e acostamento, a fim de oferecer mais segurança para todos.

No entanto, também foram registrados pontos em comum entre todos as reuniões. Entre os aspectos positivos, dois tiveram unanimidade: “Boa Vizinhança” e “Boa para Morar” foram questões marcadas pelos participantes de todos os encontros. “Isso mostra que, de forma geral, as pessoas gostam de viver em Muriaé e nos distritos”, destaca Lauanna. “Por outro lado, o trânsito na sede do município foi colocado como uma questão a ser melhorada”, lembra.

“É necessário dar voz ao povo”, afirma prefeito
Com média de 50 pessoas em cada oficina, o público foi considerado satisfatório pela equipe da Geo Brasilis – em Belisário, por exemplo, mais de 70 pessoas estiveram presentes. Para o prefeito Grego, as oficinas regionais foram marcos na história de Muriaé e terão papel importante na formulação das propostas finais. “O Plano Diretor é chamado de participativo porque traz para as pessoas a possibilidade de contribuírem ativamente com as comunidades onde vivem. É dando voz aos moradores que vamos conseguir resultados cada vez melhores e construir um novo caminho para a nossa cidade”, ressalta.

A visão do prefeito encontrou respaldo na opinião de muriaeenses que participaram das reuniões. “O nosso povo se sentiu respeitado com o convite para a oficina e com a chance de apresentar ideias, críticas e sugestões”, disse o presidente do Grupo de Artesãos de Belisário, Cléber Paradela. E, com a experiência de quem já atuou como secretário municipal de Obras, o arquiteto Horácio Telêmaco Pompei também concorda. “As pessoas querem ser ouvidas pelo poder público. O cidadão consciente quer contribuir com a Administração, e ouvir essas demandas é fundamental para a melhoria da cidade”, afirma.

Após o fim do ciclo de oficinas comunitárias, a Geo Brasilis continua trabalhando no desenvolvimento do novo PDP. Também estão sendo coletados dados técnicos, tais como indicadores socioeconômicos e geográficos da população, além de questões referentes à mobilidade urbana. O diagnóstico geral deverá ser concluído em julho e, posteriormente, serão feitas duas audiências públicas para deliberação das propostas formuladas. Após o fim deste trabalho, o documento será transformado em projeto de lei para votação na Câmara Municipal, passando a vigorar após a aprovação.