OS CUIDADOS NA HORA DE RENEGOCIAR DÍVIDAS COM BANCOS
18/11/2019

De quando em quando, os bancos oferecem aos consumidores inadimplentes propostas de renegociação da dívida de cada um. Inevitavelmente, surge a pergunta: para o consumidor, vale a pena negociar seu débito com um banco?

A princípio, a resposta é sim. Na maioria da vezes, costuma ser bom para o consumidor negociar sua dívida com um banco, uma financeira, etc. Afinal, quem não quer excluir o nome do SPC, SERASA ou SCPC?

Se o credor oferecer ao consumidor condições melhores para o pagamento do débito, como, por exemplo, desconto do valor total, redução de juros, e que a proposta esteja dentro das condições do devedor, por que não negociar? É claro que pode valer a pena. Mas, desde que certos cuidados sejam tomados.

Vamos a alguns desses cuidados:

FAÇA CÁLCULOS ANTECIPADOS – Isso mesmo: antes de partir para a renegociação de sua dívida faça cálculos reais de seus ganhos e seus gastos para ver sua disponibilidade de dinheiro. Para começar, considere a sua renda mensal. Se é só o salário, se existe acréscimo de alguém da família ou qualquer outro tipo de renda. Em seguida, coloque no papel quanto você e sua família gastam, com água, luz, alimentação, remédios, escola, etc. No final, você vai saber a quantia que pode gastar com a prestação do novo contrato. E, jamais se esqueça dessa quantia no momento de fechar o negócio. Do contrário, você vai voltar a ter problemas.

JAMAIS ACEITE PROPOSTA QUE NÃO POSSA CUMPRIR – Nunca, mas nunca mesmo, aceite uma proposta de negociação que você não possa cumprir. Se o consumidor aceitar a primeira proposta que lhe for oferecida, ele pode estar correndo o risco de aumentar ainda mais o seu problema. De que adianta trocar uma dívida que você não pode pagar por outra, que também não vai poder quitar? Se você aceitar, vai começar tudo de novo: inadimplência, nome do SPC, ou nome sujo, como se fala popularmente, nervosismo, noites insones. Você já sabe como é.

NEGOCIE COM CLAREZA, FRANQUEZA, FIRMEZA E SEM SE DEIXAR INTIMIDAR – Talvez não exista um método perfeito para se negociar uma dívida. Porém, é indispensável agir com clareza, com franqueza, firmeza e sem se deixar intimidar. Na hora da renegociação seja claro e franco com o negociador, porém, seja firme e não se deixe intimidar. Não é porque está devendo que você está por baixo. O banco também quer receber alguma coisa. Se não fosse assim não estaria negociando.

PONTOS A SEREM OBSERVADOS – Alguns procedimentos não podem deixar de ser adotados, na hora da renegociação propriamente dita. São eles: – a) Explique seus problemas, sem desculpas ou rodeios; b) Peça exclusão total de juros e multa ou pelos menos juros menores para o parcelamento; c) Negocie dentro de suas possibilidades financeiras. Não assuma um pagamento mensal maior do que pode suportar; d) Evite aceitar a cobrança de honorários advocatícios nem despesas de cobrança. De acordo com o Código de Defesa do Consumidor, esses custos devem ser pagos por quem contrata os serviços, no caso, o banco; e) Não aceite definitivamente a oferta de seguros ou títulos de capitalização. Esse procedimento é venda casada, proibida pelo CDC.

JAMAIS ATRASE O PAGAMENTO – Bom, a partir do momento em que o consumidor concluir o novo acordo, o grande segredo é pagar pontualmente, todos os meses, a prestação combinada. Jamais atrase o pagamento um dia sequer. Do contrário, o novo parcelamento será cancelado e, como já foi dito, começará tudo de novo. Portanto, pague, no máximo, até o dia do vencimento. Melhor ainda ser puder pagar um ou dois dias antes.

NÃO CONTRATE UM NOVO EMPRÉSTIMO – Este é um cuidado que deve ser considerado de total importância: pelo menos enquanto estiver pagando a dívida renegociada, não contrate, de jeito nenhum, um novo empréstimo. Não vá cometer o mesmo erro de algum tempo atrás, voltando a se endividar. Espere terminar o pagamento da dívida que já lhe deu tanto trabalho. E, mesmo assim, não se esqueça: contratar empréstimo só em último caso e se extremamente necessário. E, cuidado, muito cuidado mesmo, com aqueles que oferecem empréstimo para quem está com o nome no SPC, SERASA ou SCPC. Quem está nessa situação não deve, definitivamente, contrair novas dívidas. A contrariedade futura pode ser enorme.